Victor Leal

Presidente da Associação das Termas de Portugal e a redefinição do produto termal...

 

VICTOR LEAL

 

PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DAS TERMAS DE PORTUGAL E A REDEFINIÇÃO DO PRODUTO TERMAL...

“As termas têm de se reinventar..."

“Assumiremos a promoção da saúde como uma nova área do produto termal, que tem de ser cada vez mais compósito…”

Independentemente dos governos e das suas sensibilidades, as Termas de Portugal, não têm elas também, de se repensar e actualizar a definição e o modo como apresentam o seu produto termal? Por exemplo os tratamentos termais são apresentados como há 40 ou 50 anos, de forma avulsa, um a um, sem que os clientes consigam entender, se não tiverem experiências anteriores, quanto lhes custará uma Cura Termal? 

 

V.L.: “De facto, nestes 100 dias, dedicámos também muita atenção a essa matéria. É necessário evoluir na forma como se define e apresenta o nosso produto termal. Estamos a fazer, com as termas, uma reflexão séria sobre o que está a correr bem e o que está a correr menos bem e tem de ser melhorado. Estamos, portanto, numa fase de reposicionamento das próprias termas, de redefinição do produto termal. Algumas termas já evoluíram na postura que referiu, mas a esmagadora maioria continua a apresentar, do ponto de vista da comercialização, essa perspetiva. As Termas da Felgueira, por exemplo, já têm pacotes termais terapêuticos com preços definidos. Há outras que estão a desenvolver esse caminho. Mas este é um caminho, que do ponto de vista do marketing e da comunicação é fácil, mas é mais difícil do ponto de vista da matriz, da essência do balneário termal, uma vez que a essência do tratamento das termas é não ser um tratamento massificado, é ser um tratamento individualizado. É um tratamento para cada pessoa, não é um supermercado em que se compra coisas avulso. Agora, certamente que é possível, é credível, é cientificamente comprovável que há um conjunto de tratamentos, um conjunto de práticas-base em função de cada uma das doenças ou de cada uma das patologias que estamos a curar e, portanto, o balneário pode e deve, na minha opinião, desenvolver esse pacote base. Mas ele nunca pode ser um pacote estanque porque há sempre uma avaliação individual do médico para com o cliente. Este é um fator que nunca poderá ser esquecido, que nunca poderá ser afastado. Haverá um pacote base, que é o pacote base nos tratamentos naquela área. Há um conjunto variadíssimo (porque as termas de Portugal têm dos melhores equipamentos a nível europeu, quer físicos quer a nível de equipamentos para ministrar os tratamentos termais) de outras técnicas termais que podem ser receitadas em função da avaliação que o médico faz e que o utente, em função do diálogo que faz com o médico, aceita ou não aceita, mas isso já debita aqui uma certa discricionariedade, mas que permite, do ponto de vista comercial e do marketing comunicativo, ter um valor final da cura termal já quase final. E é essa reflexão interna que se iniciou, para nos adaptarmos às novas circunstâncias e às novas realidades da sociedade moderna. Temos que procurar no termalismo terapêutico, as melhores condições de o apresentar de uma forma facilmente perceptível e comercializável nos vários canais de distribuição. Temos de evoluir, mas sem nunca perder a matriz de que cada caso é um caso, cada pessoa é uma pessoa…”

 

 

Esta é pois a sua visão sobre este desafio que se coloca às termas em Portugal? 

 

V.L.: “Esta é a minha visão enquanto presidente da associação e enquanto gestor termal. É um caminho que se faz caminhando, tem de ser feito com pés bem assentes na terra. Tem de ser bem feito, com bastante envolvência de todos os atores da estância termal, quer sejam médicos, terapeutas, auxiliares, quer seja os operadores turísticos da própria estância termal para todos compreenderem o que é que estamos a fazer e como estamos a fazer e como estamos a proceder a essa evolução. Sendo que, como é lógico, a escolha é sempre individual de cada uma das estâncias termais, qual é o caminho que querem seguir e se o querem seguir mais rápido ou mais lentamente. Mas este é o normal desenvolvimento das coisas, tal como já está a acontecer em França - e nós bebemos muito do termalismo francês – onde este conceito já está desenvolvido e posto em prática e não foi por causa disso que deixou de haver a credibilidade e o apoio enorme do ministério da saúde francês ao termalismo…

 

 

"As termas têm que se reinventar...e a promoção da saúde é uma via fundamental" 

 

 

Se houver possibilidade financeira das comparticipações entrarem em vigor ainda no atual orçamento - já que foi com base nessa premissa que o grupo de trabalho desenvolveu a sua proposta – por forma a que ainda durante o 2º semestre de 2018,  se concretize a reintrodução das comparticipações, tanto melhor. É esse ainda o forcing que estamos a desenvolver, sensibilizando o governo para esse objetivo. Se porventura, o governo considerar que não há almofada financeira no Orçamento de Estado para este ano, no mínimo, que o diga abertamente. E assuma, então, que o novo regime de comparticipações entrará em vigor a partir de 1 de janeiro de 2019. Não temos qualquer dúvida que a reintrodução das comparticipações dos tratamentos termais, por via do Serviço Nacional de Saúde, é fundamental para alavancar o termalismo em Portugal. Aliás esta mesma ideia já esteve presente nas conclusões do grupo de trabalho que foi dinamizado pela secretária de estado do turismo e que procurou identificar os constrangimentos e as soluções para o termalismo em Portugal e que foi divulgado publicamente em 2017. Mas aí, foram também identificados outros constrangimentos, sobre os quais temos vindo a trabalhar na ATP, nomeadamente, na criação de um plano de comunicação & marketing que reposicione as termas ao nível nacional”. 

 

 

"OFERECER UM PRODUTO CADA VEZ MAIS COMPÓSITO" 

 

 

 

 E como antevê essa reinvenção do produto termal?

 

V.L.: “Temos de construir, definir e oferecer um produto cada vez mais compósito. Hoje, as pessoas já não vão para as termas só para fazer termas, precisam de outras atividades. Precisam que, durante a sua estadia, haja um conjunto de ofertas diversificadas e paralelas que não colidam com o tratamento termal, que não colidam com a sua estadia termal, mas que lhes vai permitir ter uma experiência mais enriquecedora nas termas. Para isso é fundamental que na estância termal, os gestores termais procurem em conjunto com outros players e outros operadores turísticos - mesmo não sendo da área da saúde - produtos mais compósitos que permitam ter outras experiências - encontro com a natureza, turismo ativo, gastronomia, nutrição, atrações turísticas e outras - estruturando um produto compósito que vá ao encontro das expectativas das pessoas em fazer férias em saúde, mas não só. Afinal estruturando uma oferta global termal com outras propostas e experiências complementares. E que crie valor não só no balneário termal, mas em todo o território que o circunda, chamando para o seu lado todos os atores locais que, de uma forma direta ou indireta, possam lidar, quer com a saúde, quer acima de tudo com o turismo como alavanca da economia local.” 

 

 

É nesse sentido que vai a recente proposta do Alto Tâmega em constituir o primeiro Hub Termal em Portugal?

 

V.L.: “É um exemplo, como o é também o projeto Termas Centro. O que temos neste momento é a necessidade da criação de redes. É muito fácil falar em redes, mas é muito difícil implementá-las e em Portugal é difícil a criação de redes. Basicamente, o que se pretende é que o destino âncora, sendo umas termas, crie uma rede à sua volta que englobe desde restaurantes, empresas de animação turística, percursos pedestres, percursos de empresas de animação turística, de experiências gastronómicas, de atividades ao ar livre, lúdicas e recreativas que permitem criar um produto integrado compósito para oferecer às pessoas, que seja facilmente valorizável e mensurável, que seja colocado nos canais próprios com um preço final definido e fácil, no ponto de vida do consumidor, de chegar a ele.”

 

 

 2019 vai encontrar já o produto termal em Portugal, seja ele terapêutico de saúde, prevenção de saúde ou de bem-estar, com um renovado figurino? 

 

 V.L.: “Sim, estou certo que sim. Este é o trabalho que está a ser feito. Para 2019 temos como objectivo já ter uma configuração do produto termal mais estruturado, mais compósito, com novos produtos nomeadamente na área da promoção de saúde, com uma aposta muito forte nesta nova área de promoção e prevenção de saúde. Primeiro estamos a fazer o trabalho de casa: criação de produtos compósitos e de novos produtos na área da promoção de saúde. E ainda reestruturar, nalguns casos, a oferta do bem-estar termal. E paralelamente desenvolver o caminho da internacionalização das termas de Portugal.”  

 

 

No final do seu mandato (de 3 anos), espera que o produto termal tenha dado um salto em termos da sua imagem, da sua modernização…. 

 

V.L.: ”O que nos motiva é isso mesmo. Procuramos sempre ir de encontro àquilo que são as novas tendências, à satisfação do público que cada vez é mais exigente e criar dinamismos que permitam que o termalismo em Portugal tenha uma pujança cada vez maior, cada vez mais credível e aceite, mais e mais procurado. Que seja cada vez mais um fator importante no dinamismo das populações locais, dos territórios, da economia local e que contribua, claramente, para o boom do turismo em Portugal. É isso que nos motiva, a mim e a toda a minha equipa neste mandato à frente das Termas de Portugal.” 

 

  

 

Apesar de 2018 ainda não mostrar sinais de inversão de ciclo, Victor Leal afirma a confiança no trabalho que está a ser feito e define objetivos ambiciosos para 2019.

 

 

“2019 vai ser um ano de viragem. O nosso objetivo é inverter claramente a tendência de decréscimo do termalismo terapêutico que se regista desde 2004, que se aprofundou em 2011 com o corte das comparticipações e que no primeiro semestre de 2018 continuou a registar uma diminuição de 2%” afirma Victor Leal, que quer “ pela primeira vez, ao fim de longos anos, inverter o ciclo e voltarmos a crescer em 2019 no conjunto dos nossos clientes, superando a fasquia dos 100 000 clientes, garantindo assim um crescimento na ordem dos dois dígitos face a 2018.” E mais: “ Queremos continuar com aumentos no termalismo de bem-estar na ordem dos 20% e introduzir o novo conceito de promoção de saúde com uma atitude de conquista de novos públicos: mais ativos, mais urbanos, mais jovens, totalmente diferente do que é a imagem e o perfil atual do termalista em Portugal.” Mas “mantendo, naturalmente, toda a atenção com os nossos atuais clientes e termalistas, que continuaram a acompanhar-nos durante todos estes anos de ”travessia do deserto” lembrou Victor Leal. E para isso tem uma nova definição do produto termal: “No próximo ano queremos influenciar três públicos: o termalismo de bem-estar, o termalismo de promoção de saúde, com programas de 5/7 dias, programas muitos específicos, padronizados que trazem um grande valor acrescentado para a saúde (e que serão uma mais valia económica e financeira para as empresas) e naturalmente o termalismo terapêutico. São 3 áreas diferenciadas do termalismo que vamos promover, assumidamente, a partir de 2019.” O desafio está lançado… “

 

 

Apesar de 2018 ainda não mostrar sinais de inversão de ciclo, Victor Leal afirma a confiança no trabalho que está a ser feito e define objetivos ambiciosos para 2019.

 

 

“2019 vai ser um ano de viragem. O nosso objetivo é inverter claramente a tendência de decréscimo do termalismo terapêutico que se regista desde 2004, que se aprofundou em 2011 com o corte das comparticipações e que no primeiro semestre de 2018 continuou a registar uma diminuição de 2%” afirma Victor Leal, que quer “ pela primeira vez, ao fim de longos anos, inverter o ciclo e voltarmos a crescer em 2019 no conjunto dos nossos clientes, superando a fasquia dos 100 000 clientes, garantindo assim um crescimento na ordem dos dois dígitos face a 2018.” E mais: “ Queremos continuar com aumentos no termalismo de bem-estar na ordem dos 20% e introduzir o novo conceito de promoção de saúde com uma atitude de conquista de novos públicos: mais ativos, mais urbanos, mais jovens, totalmente diferente do que é a imagem e o perfil atual do termalista em Portugal.” Mas “mantendo, naturalmente, toda a atenção com os nossos atuais clientes e termalistas, que continuaram a acompanhar-nos durante todos estes anos de ”travessia do deserto” lembrou Victor Leal. E para isso tem uma nova definição do produto termal: “No próximo ano queremos influenciar três públicos: o termalismo de bem-estar, o termalismo de promoção de saúde, com programas de 5/7 dias, programas muitos específicos, padronizados que trazem um grande valor acrescentado para a saúde (e que serão uma mais valia económica e financeira para as empresas) e naturalmente o termalismo terapêutico. São 3 áreas diferenciadas do termalismo que vamos promover, assumidamente, a partir de 2019.” O desafio está lançado… “

 

"Superar os 100 mil clientes já em 2019"

"Superar os 100 mil clientes já em 2019"

 

Apesar de 2018 ainda não mostrar sinais de inversão de ciclo, Victor Leal afirma a confiança no trabalho que está a ser feito e define objetivos ambiciosos para 2019.

 

 

“2019 vai ser um ano de viragem. O nosso objetivo é inverter claramente a tendência de decréscimo do termalismo terapêutico que se regista desde 2004, que se aprofundou em 2011 com o corte das comparticipações e que no primeiro semestre de 2018 continuou a registar uma diminuição de 2%” afirma Victor Leal, que quer “ pela primeira vez, ao fim de longos anos, inverter o ciclo e voltarmos a crescer em 2019 no conjunto dos nossos clientes, superando a fasquia dos 100 000 clientes, garantindo assim um crescimento na ordem dos dois dígitos face a 2018.” E mais: “ Queremos continuar com aumentos no termalismo de bem-estar na ordem dos 20% e introduzir o novo conceito de promoção de saúde com uma atitude de conquista de novos públicos: mais ativos, mais urbanos, mais jovens, totalmente diferente do que é a imagem e o perfil atual do termalista em Portugal.” Mas “mantendo, naturalmente, toda a atenção com os nossos atuais clientes e termalistas, que continuaram a acompanhar-nos durante todos estes anos de ”travessia do deserto” lembrou Victor Leal. E para isso tem uma nova definição do produto termal: “No próximo ano queremos influenciar três públicos: o termalismo de bem-estar, o termalismo de promoção de saúde, com programas de 5/7 dias, programas muitos específicos, padronizados que trazem um grande valor acrescentado para a saúde (e que serão uma mais valia económica e financeira para as empresas) e naturalmente o termalismo terapêutico. São 3 áreas diferenciadas do termalismo que vamos promover, assumidamente, a partir de 2019.” O desafio está lançado… “